Gosto da interpretação que Rockwell Blake dá à “Dalla sua pace”, precisamente por tudo aquilo que os críticos nela detestam: o riso estúpido no rosto, o exagero, a voz vacilante. Quem quer que queira interpretar Don Ottavio tem que se equilibrar entre a parvoíce, a pusilanimidade do personagem e a sublimidade do sentimento que ele expressa naquele instante. Sem dúvida há vozes melhores para a ária. Também a interpretação de Winbergh tangencia esse equilíbrio, sem cometer os excessos. Mas o excedente, no caso de Blake, parece indicar o caminho. Por isso fico com ele.
Existe o analfabetismo propriamente dito, o analfabetismo funcional e o analfabetismo clássico. Este último, categoria em que se encaixam os que pensam ter a literatura surgido a partir do “Ulisses” de Joyce.
Essa história de que o único problema realmente importante é o do suicídio é papo para comer argelina. O único problema realmente importante é dinheiro.
À época de Plauto, a comédia já estava atrasada em relação à crítica ferina de Aristófanes. Isso, há milênios. Montar farsas atualmente é, quando menos, imoral.
Na Renascença e na Antiguidade, a polimatia era regra entre sábios. A modernidade trouxe a figura do cientista especializado no seu ramo científico. A pós-modernidade e, especialmente, as revistas semanais, por sua vez, estimulam a polidoxia: o articulista é especialista em tudo, ainda que não saiba de nada.
Estivéssemos em época cerca de um por cento menos analfabética e Branco Leone seria cronista de elite nos jornalões, tendo conseqüentemente seus livros publicados por grandes editoras. No entanto, contando o Brasil com apenas seis leitores, de acordo com o último censo do IBGE (descobriu-se um novo alfabetizado em Tocantins, ao que parece), o Incrível Exército tem que se virar. É assim que lança hoje, através da janela do Genial, seu mais novo rebento. Vão lá.